Por Renan Brito Silva[1]
Nas divergências socioeconômicas da
atualidade, a cultura deveria ser um ponto de encontro comum entre as pessoas.
Sabendo-se que cada indivíduo traz marcas e aspectos culturais, Nelly Aleotti
Maia[2]
define a cultura como aquilo que o homem conhece; o que ele faz; o que possui
ou em que acredita. A grande questão é que muitas vezes dentro da própria
cultura existe uma desigualdade, que exclui separa e segrega alguns grupos da
sociedade.
A grande separação de culturas começa
com a desigualdade no julgamento do que é ou não cultura. Podemos observar esse
aspecto quando alguém diz que determinado tipo de musica é cultura e outro tipo
não, definindo a partir da condição financeira ou do lugar onde moram. Por exemplo, as pessoas que ouvem músicas
eruditas podem se considerar intelectivamente superiores às pessoas que ouvem
funk. Outro problema enfrentado nesse mesmo contexto é quando alguém é ignorado
ou muitas vezes até expulso de restaurantes, bares, lojas por serem
considerados insuficientes para frequentar aquele lugar. Assim acaba se
definindo a cultura pelos padrões de vida de poucos.
Pode-se dizer então que a cultura é
definida por um padrão? Para quem procura viver em cima de padrões, sim a
cultura se torna algo específico, que vai alienar a pessoa. Já quem busca
entender as diferentes realidades, tendo uma analise crítica, vai compreender
as diferentes culturas que se fazem presentes na sociedade.
Para se ter um olhar crítico sobre os
diferentes meios culturais necessita-se de uma educação de qualidade. A escola
é o caminho para que em nossa sociedade tenhamos cidadãos críticos, que possam
identificar os limites que nossa sociedade tem atingido, as barreiras que tem
separados as pessoas, enfim, identificar o porquê que muitos indivíduos tem
acesso a cultura e outros não.
O processo de incisão cultural a todos
depende da força de vontade de cada um. Uma sociedade que vive sobre o domínio
de poucos cria uma cultura para poucos. A palavra excluir, no âmbito do termo
cultura, deve ser substituída pela palavra respeito.
[1] Baixarelando filosofia pela Faculdade Católica de Pouso Alegre
[2]NELLY
ALEOTTI MAIA – Doutora e Livre-docente pela Universidade Federal do Rio de
Janeiro. Livre-docente pela Universidade Federal Fluminense. Diplomada pela
Escola Superior de Guerra. Titulação Especial em Polí- tica e Estratégia
Brasileiras pela ESG. Título de Distinguished Fellow do International Council
on Education for Teaching. Professora do CEP. ALEOTTI, Nelly. Uma Visão da
Antropologia Filosófica. Da Cultura, ANO XI / Nº 18, p. 31-35.

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